Livro XIV
►No livro XIV, Aristóteles fará uma observação pertinente aos poetas, diferenciando, em teatro, o texto da encenação: “Os sentimentos de terror e pena, às vezes, decorrem do espetáculo cênico; em outras ocasiões, porém, vêm do ordenamento que se dá às ações, e este é o melhor modo, mais próprio do poeta” (p. 52).
►“Pois a fábula deve ser constituída de tal maneira que as pessoas que a ouvirem possam, mesmo sem nada ver, aterrorizar-se e sentir piedade, como acontecerá com quem escutar a estória de Édipo. Produzir esse efeito somente por meio do espetáculo é coisa pouco artística, que exige apenas o trabalho do corego” (p. 52).
►Aristóteles diferencia, ainda, o “terrível” do “monstruoso”. O monstruoso não cumpre a função trágica. O filósofo afirma, então, que o terror e a piedade serão despertadas dependendo da organização dos fatos dentro da fábula, tarefa do poeta (p. 53).
►Para suscitar tais sentimentos, as ações devem ocorrer entre amigos (pais e filhos, esposos, irmãos), porque, caso ocorra entre inimigos ou estranhos, não despertará suficiente comoção (p. 53).
►Ainda no Livro XIV, Aristóteles enumera as possíveis situações trágicas:
►I. As ações precisam ocorrer entre amigos (já explorado anteriormente);
►II. “Não se devem alterar os mitos consagrados pela tradição, como a morte de Clitemnestra por Orestes e a de Erifila por Alcmeão. O poeta deve, antes, compor sua obra de modo correto, e de acordo com a tradição” (p. 53).
►III. A ação pode ser praticada por:
►III.1. Personagens cientes do que fazem – “é o caso de Medéia, da tragédia de Eurípedes, quando mata os filhos” (p. 53);
►III.2. Por personagens que desconhecem “a vilania de seu ato, pois o laço de sangue só será revelado mais tarde; aí temos Édipo, de Sófocles” (p. 53);
►III.3. “Quem, por ignorância, vai cometer um ato terrível, mas, antes de fazê-lo, conhece a verdade” (p. 53).
►“Além dessas, não existem outras situações tragicamente possíveis, pois a ação, necessariamente, é ou não praticada, com conhecimento ou sem ele” (p. 53).
►O filósofo julga que o melhor tipo de situação trágica é aquela em que o personagem age e só depois vem a conhecer as consequências de seus atos.
►“Por isso, como já dissemos, as tragédias tiram seus argumentos de poucas famílias. Ao procurar seus temas os poetas encontraram, não por arte e sim por sorte, nos mitos tradicionais; bastou-lhes então adaptá-los” (p. 54).
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
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