sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A POÉTICA, de Aristóteles III.

Introdução


►Este famoso tratado ocupa-se da apreciação estética e sociológica de um importante fenômeno surgido há poucos séculos na Grécia, e consolidado na cidade-estado Atenas: o teatro, manifestação até então desconhecida desta e de todas as demais populações da Antiguidade – mas, em seu tempo, ainda indissociável da poesia.

►“Trataremos da natureza e das espécies da poesia, das características de cada uma, do modo como as fábulas se devem compor para a perfeição do poema”.


►O texto insere-se, ainda, em um debate caro a todos os estudiosos, historiadores e historiadores da arte, àqueles que ocupam-se da trajetória do teatro ocidental e aos educadores, a saber: o embate instituído entre Arte e Filosofia no seio da Grécia clássica.


►Como disciplina teórica, a poética é o estudo das obras literárias, particularmente as narrativas, e visa esclarecer suas características gerais, a sua literalidade, criando conceitos que possam ser generalizados para o entendimento da construção de outras obras.


►Apesar de não ter caráter normativo, ela opera implícita e explicitamente na criação artística. Surge na filosofia de Aristóteles, que a trata como um dos métodos do discurso estudando no fragmento que restou até nossos dias a tragédia, e dela destacando noções fundamentais para as considerações teóricas posteriores.



►Dividida em livros, A Poética de Aristóteles busca averiguar o que caracterizaria a “literatura”, um conceito inexistente em sua época.

►Tem início tentando definir a Arte: esta, em seu conceito, é mímesis, sobre a qual discorrerá mais detalhadamente no livro IV. “A epopéia, o poema de cunho trágico, o ditirambo (hino em louvor do deus grego Dionysos) e, na maior parte, a arte de quem toca a flauta e a cítara, todas vêm a ser, em geral, mímesis (p. 37).


►Escreve, ainda, que todas as artes diferem entre si em três pontos: “imitam por modos diferentes, e não o mesmo, ou por objetos diferentes, ou por meios diferentes..." (p.37).


Livro I

►No primeiro livro, discorre sobre as diversas artes; pintura, canto, literatura (que ele afirma não ter recebido, ainda, um nome), “arte composta apenas de palavras” (p. 37); detém-se no teatro.

►Depreendemos do texto que os pintores expressam-se “por traços e por cores”; e que as demais artes imitam pelo “ritmo, pela linguagem e pela melodia, de modo separado ou combinado” (p. 37).

►A aulética (arte de tocar flauta) e a citarística (arte de tocar a cítara), além da siríngica (que era a arte do cantor que acompanhava a cítara), valem-se da melodia e do ritmo.

►Já a dança, sob a óptica de Aristóteles, vale-se somente dos ritmos – “porque os bailarinos, com seus movimentos ritmados, imitam caracteres, emoções e ações.

►Aristóteles afirma também não existir um nome para “dar aos mimos de Sófron e de Xenarco”, bem como aos diálogos socráticos, e às composições pautadas em trímetros jâmbicos, versos elegíacos e semelhantes (p. 38).

►Os poetas, haviam recebido as denominações de “elegíacos e épicos”, não pelo tipo de imitação que empreendiam, “mas segundo o metro que usam” (p. 38).


Aristóteles estabelece uma primeira diferenciação entre a poesia e demais discursos escritos – “também recebe o nome de poeta quem escreve, em versos, tratados médicos ou de física; mas nada existe em comum entre Homero e Empédocles, senão a métrica: assim, aquele merece o nome de ‘poeta’, e este, o de ‘naturalista’ mais que de poeta” (p. 38).



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