Honestino cumpria a segunda temporada de prisão, algo que ele sempre temeu era ser detido. Foram dois meses até vim o habeas corpus. No dia da libertação, havia numeroso grupo de companheiros, que saíram em carreata por Brasília. Logo depois, veio o Ai-5, às 22h do dia 13 de dezembro de 1968. Seu Monteiro e dona Rosa ficaram em pãnico. Honestino fora avisado antecipadamente sobre a publicação do documento e fugira. O irmão Luiz também se escondera, pois estava metido com o movimento secundarista. A casa dos Monteiros estava vigiada. Norton e duas primas, todos menores, estavam no apartamento quando a repressão invandiu à cata de Honestino. O irmão foi levado e desapareceu por três dias para o desespero da família, que se mobilizou fortemente. Quando foi devolvido, a família se envolveu em alegria e pode dormir sob efeitos de medicamentos.
- Estou pormenorizando estes fatos porque a nossa família era mutilada pela máquina da repressão. Aquela harmonia, aquela paz, aqueles encontros entre Honestino e o pai, aquelas noitadas de gamão ou xadrez em que Honestino e seus irmãos competiam como o pai , tudo acabou. Lembra-se dos passeios em que Monteiro fazia conosco em chácaras ou pescarias? Nada mais aconteceu. Toda aquela felicidade foi arrancada e substituída pela aflição, pela insegurança, pelo medo de perder Honestino, conta dona Rosa.
Que sofrimento o da Dona Rosa!!
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