sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A POÉTICA, de Aristóteles VI.


►Os Elementos da Tragédia são explorados no Livro VI. Diz o pensador que '‘é a tragédia a representação de uma ação elevada, de alguma extensão e completa, em linguagem adornada, distribuídos os adornos por todas as partes, com atores atuando e não narrando; e que, despertando a piedade ou temor, tem por resultado a catarse dessas emoções” (p. 43).

►“Piedade”, segundo alguns comentadores, não é uma boa tradução para o termo empregado pelo escritor. Melhor tradução seria “filantropia”.

►“Considero linguagem adornada a que tem ritmo, harmonia e canto; e o distribuir-se os adornos por todas as partes significa que algumas são dotadas apenas de verso, enquanto outras servem-se também do canto" (p.43).

“A tragédia é a imitação de uma ação, realizada pela atuação dos personagens” (p. 43).

Existem, na tragédia, duas causas naturais para a ação: idéias e caráter (p.43).
►É da ação que se originará a boa ou má fortuna das personagens.

►São seis os elementos que constituem a tragédia, na Poética:


Fábula
A Fábula é a reunião das ações. É o enredo que se conta, a estória. “A fábula é imitação da ação” (p. 43).
Caracteres
O caráter são as qualidades, os traços, das personagens.
“Caráter é aquilo que revela determinada deliberação; ou, em situações dúbias, a escolha que se faz ou se evita” (p. 45).

Falas
“Fala é a expressão das idéias por meio de palavras, o que pode ser feito em verso ou em prosa” (p. 45).

Idéias
As idéias são os pensamentos das personagens, que as manifestam por meio do que dizem. Nas palavras de Aristóteles: “Por idéias, refiro-me a tudo o que os personagens dizem para manifestar seu pensamento” (p. 43).

Em outro trecho do tratado, define ele: “…nada mais são do que a capacidade de dizer, sobre determinado assunto, aquilo que lhe é inerente ou conveniente” (p. 45).

Espetáculo
É a encenação da tragédia. Aristóteles julga-a menos “artística” que o texto em si; se a catarse ocorrer unicamente devido ao espetáculo, terá sido obra do corego, e não do poeta.

“A parte cênica, embora emocionante, é a menos artística e a menos afeita à poesia. O efeito da tragédia se manifesta mesmo sem a representação e os atores; ademais, para a encenação de um espetáculo agradável, contribui mais um cenógrafo que o poeta” (p.45).

Canto
O canto é o principal dos adornos da tragédia (p. 45).

►“Toda tragédia envolve espetáculo, caracteres, fábula, falas, canto e idéias” (p. 44).
►“A tragédia não é imitação de pessoas, e sim de ações…” (p. 44).

►“…A finalidade da vida é uma ação, não uma qualidade” (p. 44).

►Desta maneira, Aristóteles distingue bem “caráter” de “ação”. Segundo ele, os homens são felizes ou infelizes de acordo com as ações que praticam, e não de acordo com seu caráter (p. 44).

►A tragédia deve servir-se de falas que revelem os caracteres das personagens, mas também da narrativa e da trama; caso contrário, não se terá uma tragédia.

“…Os principais meios pelos quais a tragédia fascina as platéias fazem parte da fábula, ou seja, as peripécias e os reconhecimentos” (p. 44).

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