►“A fábula é, pois, o princípio e, por assim dizer, a alma da tragédia; em segundo lugar vêm os caracteres” (p. 44).
►“A tragédia é a imitação de uma ação em sua totalidade”. Por sua vez, inteiro é “o que tem começo, meio e fim” (p. 45).
►As fábulas podem ser, ainda, simples ou complexas. A fábula simples imita uma ação simples – “aquela que produz mudança de sorte sem que haja peripécia nem reconhecimento”. A fábula complexa imita a “ação complexa, quando dela se segue mudança, quer por reconhecimento, quer com peripécia, quer com ambos” (p. 49).
►A peripécia e o reconhecimento devem se originar da “estrutura interna da fábula”, decorrendo “por necessidade ou por verossimilhança, dos acontecimentos que os antecedem” (p. 49).
Livro VIII
►No livro VII, o autor retomará a necessidade de a tragédia representar uma ação em sua totalidade – una, inteira. Discorre sobre a “unidade”. A tragédia deve ser a imitação de uma ação, de uma única ação.
►“A fábula (…) precisa imitar as (ações) que sejam unas e inteiras” (p. 47).
►Quanto à extensão, o pensador afirma que “a duração apropriada de uma tragédia é aquela que permite que nas ações – sucedidas com coerência e de acordo com a necessidade – se passe do infortúnio à felicidade ou da felicidade ao infortúnio”. Mesmo porque “…as fábulas precisam ter uma extensão que a memória possa apreender por inteiro” (p. 46).
Livro VIII
►“A unidade da fábula não se encontra (…) no fato de haver um só personagem, porque um único homem pode passar por muitos acontecimentos sem que deles resulte alguma unidade. Uma pessoa pode praticar diversas ações, as quais não formam uma ação una” (p. 46).
►Aristóteles defende que as ações sejam unas e inteiras; e que os eventos devem depender um dos outros, de modo que se algum for suprimido, desorganize o todo. Como exemplo, cita Homero (p. 47).
Livro IX
►O Livro IX da Poética traz a famosa comparação entre a História e a Poesia, no que concerne a seus conteúdos.
►Para Aristóteles, o que diferencia o poeta do historiador não é o fato de escreverem em prosa ou em verso, mas o fato de a História relatar “acontecimentos que de fato sucederam”, enquanto a Poesia “fala das coisas que poderiam suceder” (p. 47).
►“A Poesia contém mais filosofia e circunspecção do que a História; a primeira trata das coisas universais, enquanto a segunda cuida do particular” (p. 47).
►“(…) A poesia, desse modo, visa ao universal, mesmo quando dá nomes a suas personagens” (p. 47).
►Desta forma, o poeta conta coisas que poderiam acontecer dentro da verossimilhança, e a partir da necessidade.
A partir daí, a verossimilhança se constituirá conceito central na idéia de arte, do que deva ser o artístico.
►Ao longo de todo o Livro IX, o articulador demonstrará a verossimilhança na comédia e na tragédia. Verossímil pode ser o que aconteceu, ou o que não aconteceu: Aristóteles pressente a noção de “ficção”.

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