quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A POÉTICA, de Aristóteles XI.

(Continuação)

Livro XVI

No Livro XVI, o autor discorrerá sobre os vários tipos de reconhecimento.

Julga o menos artístico, embora o mais frequente, o reconhecimento que se dá por meio de sinais. Sinais externos, como estrelas, ou adquiridos, como cicatrizes, ou colares, ou cestinhas. O filósofo argumentará que melhores serão os reconhecimentos que advirem de peripécias, como o banho (de Odisseus).

Outro tipo de reconhecimento não-recomendável é aquele “forjado pelo poeta”, como “na Ifigênia, de quando Orestes revela quem é; Ifigênia é reconhecida pela carta, ao contrário de Orestes, que usa as palavras que o poeta quer que ele uso, não as que o mito requer” (p. 56).


Electra - Hermann Wilhelm Bissen 1798-1868

“O terceiro tipo de reconhecimento é produzido pela memória, despertada por impressões causadas por algum objeto visto, como nos Cíprios, de Diceógenes, em que, ao olhar o quadro, a personagem chora; também é o caso da narrativa de Alcínoo, em que Ulisses, ao ouvir o tocador de cítara, chega às lágrimas em função das lembranças; e por isso é reconhecido” (pp. 56-57).

“O quarto tipo utiliza-se de silogismos, como nas Coéforas. O raciocínio é este: chegou alguém que se parece comigo; ninguém é parecido comigo senão Orestes; portanto, Orestes chegou (…)” (p. 57).



►“Também há o reconhecimento construído num paralogismo da platéia, como no Ulisses, falso mensageiro; o fato de Ulisses, somente ele (…) ser capaz de armar o arco é uma invenção do poeta, apenas suposição, mesmo que em certo momento o herói declaresse ter reconhecido o arco sem o haver visto. O paralogismo está em o espectador supor que o reconhecimento de Ulisses se dê dessa maneira” (p. 57).


Os melhores reconhecimentos, segundo o filósofo, “derivam da intriga; causam surpresa por meio de acontecimentos plausíveis, como no Édipo, de Sófocles, e na Ifigênia, pois é admissível que ela desejasse confiar uma carta. Apenas esses reconhecimentos dispensam artifícios, sinais e colares” (p. 57).

Notas
Ao investigar o assassinato de Laio, Édipo descobre ser o assassino.

Ifigênia confia uma carta a Pílades, que a entrega ali mesmo a Orestes, o destinatário, revelando assim sua identidade.
Livro XVII

►O poeta deve antever a representação da peça. Deve “perceber” a cena como se a visse, tal qual o espectador.
“Também deve o poeta, tanto quanto possível, reproduzir os gestos dos personagens. Mais convincente ele se torna quando experimenta as mesmas paixões das pessoas em cena e têm-lhes o mesmo ânimo” (p. 58).

►Aristóteles faz a diferenciação entre o argumento e os episódios. Argumento é a essência da estória que se quer contar; episódios, são as múltiplas ações desenvolvidas.

“Os argumentos (na tragédia) quer venham das lendas tradicionais, quer da imaginação do poeta, devem ter esboçadas suas linhas gerais antes que se os divida em episódios e se os desenvolva adequadamente” (p. 58).

“Os episódios, nos dramas, devem ser breves; é diferente do que sucede na epopéia, que se estende por causa deles” (p. 59).

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