quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Honestino Guimarães foi morto no Araguaia?

Preso e torturado no tempo da ditadura civil-militar, o jornalista e historiador Jarbas Silva Marques, do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, é um dos maiores conhecedores da história das guerrilhas brasileiras. Na terça-feira, 17, disse ao Jornal Opção, em Brasília, que o goiano Honestino Guimarães, presidente da União Nacional dos Estudantes e estudante de geologia na Universidade de Brasília, foi assassinado no Rio de Janeiro, pelo grupo do delegado Sérgio Paranhos Fleury. José Carlos da Mata Machado havia sido delatado aos homens de Fleury pelo cunhado, Gilberto Prata, residente em Goiânia e protegido de um conhecido esquerdista. Prata vendeu-se a Fleury. Por grana e para salvar a própria pele. Honestino foi preso porque mantinha contato com José Carlos. A história narrada por Taís, a partir dos apontamentos de Ivan-Carioca, apresenta outra versão. Honestino “foi preso em outubro de 1973, no Rio de Janeiro, e levado para Brasília, de onde não tardou muito a ser levado a outro destino. Era um dos passageiros do jatinho da empresa Líder, contratado pela Presidência da República, e que levou quatro militantes de esquerda para a cidade de Marabá, em pleno Araguaia: dois brasileiros e dois estrangeiros, um francês e outro argentino. Carioca, mais uma vez, foi testemunha ocular. Não sabia de onde o avião decolara, mas viu muito bem quem saiu dele. Quem os escoltava era o coronel Jonas, da Aeronáutica, acompanhando por quatro agentes da equipe. O comandante da Casa Azul os recebeu numa caminhonete. Encostou bem perto da aeronave, de onde os quatro prisioneiros foram rapidamente retirados e amontoados no interior do veículo. Todos estavam dopados e com capuz. [...] A intenção era bem clara: levar aquelas pessoas ao interior da selva no Araguaia para matá-las. [...] Quando os presos chegaram à Casa Azul, Carioca reconheceu perfeitamente o rosto de Honestino, então com 26 anos. [...] Ouviu, então, o coronel Jonas dizer ao comandante da área que o outro rapaz era Eduardo Leite, o Bacuri”, da Ação Libertadora Nacional. As versões apresentadas, até agora, dão como certo que Bacuri foi barbaramente torturado e morto em São Paulo. Os militares o consideravam um quadro extremamente violento e perigoso. Ivan-Carioca integrou o grupo de execução. Um dos prisioneiros, supostamente francês, teria dito: “Pô, cara, não faz isso comigo não! Deixa que eu mato os três pra vocês, e ainda sirvo de informante para o que quiserem”. Um dos executores tinha o codinome de Paraíba e sua descrição parece com a do sargento Santa Cruz, aliado do major Curió. Os “grupos de extermínio tinham, como a equipe de Carioca, um acordo tático de manter suas identidades sob sigilo absoluto, em qualquer circunstância. Abrir o bico significava morte certa. Alguém se disporia a fazer o ‘serviço’”, escreve Taís. Um cabo costumava dizer, ao ser perguntado o que acontecera, ao voltar de caçadas proveitosas: “Entrou pra a VPC, a Vanguarda Popular Celestial”. (Euler de França Belém)

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